Ano XXI nº 251 -

 

Edição 251 - setembro 2018

24/09/2018

 

Com a ajuda de todos o Brasil terá mais Saúde Bucal

O termo Sal da Terra, simbólico por representar o esforço que vale a pena, importante para que todos juntos façam a diferença necessária, foi levantado pelo sanitarista Paulo Capel (foto). Este Especial do Jornal Odonto reforça este aspecto singular da promoção da Saúde Bucal brasileira. Apesar das enormes discrepâncias sociais, todo esforço, de pequenas entidades a grandes organizações, é válido e deve ser incentivado. O prof. Capel chama esse movimento em direção à melhoria do sorriso de “Sal da Terra” * e ressalta que ações nessa direção são complementares, não concorrentes, e o resultado será sempre benéfico à população.

Nesta matéria foram ouvidos também pequenos e grandes empresários do setor de planos odontológicos, cirurgiões-dentistas e incluídos dados fornecidos pela Coordenação Geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde.  Também presentes no texto ONGs que levam conscientização e prevenção Brasil afora, provando que apenas com o esforço de todos será possível fazer diferença na Saúde Bucal e saúde integral do País.   Leia mais a seguir.

 

O desafio é ser Sal da Terra
e fazer a diferença. Basta agir!

A crise econômica tem afetado muitos setores, mas o de planos exclusivamente odontológicos não é um deles.Também o consumidor está mais consciente da importância da Saúde Bucal frente à própria saúde geral e em relação à autoestima (quem não quer sair bem na “selfie”?), provocando um aumento de 14,8% de beneficiários (planos odontológicos individuais) e de 6,3% nos coletivos empresariais (dados de 2016 e 2017).

Por outro lado, a perda de dentes é o segundo fator que mais prejudica a qualidade de vida de pessoas entre 45 e 70 anos (Pesquisa Percepções Latino-americanas sobre Perda de Dentes e Autoconfiança, feita pela Edelman Insights). Ao todo, 39 milhões de brasileiros sofrem com a perda dentária total ou parcial, sendo que uma em cada cinco dessas pessoas tem entre 25 e 44 anos e 41,5% das pessoas com mais de 60 anos perderam todos eles. 

Mas a Saúde Suplementar, junto a outros setores, tem sido forte aliada ao acesso à melhoria e à qualidade da Saúde Bucal brasileira, com o registro em março deste ano de um total de 47.435.915 beneficiários, sendo 23.243.800 exclusivamente odontológicos: 17.278.011 empresariais, 1.868.494 por adesão, 4.065.581 individuais e 27.695 não informados. Mais de 23 milhões de brasileiros estão mais sorridentes e mais saudáveis.

40 milhões de idosos - Para o odontogeriatra Fernando Montenegro (foto), o normal seria o ser humano morrer com todos os dentes. Pelas projeções do IBGE, em 2027 serão cerca de 40 milhões de idosos e, com o aumento da expectativa de vida, a Odontologia e o próprio cirurgião-dentista, a Previdência Social e o Ministério da Saúde e seu braço, a Coordenadoria Geral de Saúde Bucal, precisam estar preparados para cuidar dessa parcela da população. “Destaco o trabalho do CFO que em 2001 reconheceu a Odontogeriatria como especialidade odontológica, sendo à época pioneiro em âmbito mundial a tomar essa decisão”. “É melhor saúde, Saúde Bucal e sobrevida para os nossos idosos”, afirma o prof. Montenegro.

50 milhões na linha da pobreza - Neste Brasil de proporções continentais, em que segundo o IBGE sobrevivem 50 milhões de pobres - 42% deles crianças – a Saúde Bucal está muito longe, distante demais das exigências básicas do ser humano.

Como transpor os desníveis sociais que envolvem parcela tão importante da população brasileira? O plano odontológico – em todos os formatos – é uma solução para o paciente e também é uma saída para abrir possibilidades de crescimento para a classe dos cirurgiões-dentistas, por adesão aos sistemas de planos odontológicos empresariais ou particulares, ou a franquias odontológicas e é bem visto como parte da solução. 

Mas há outras iniciativas, de todos os tipos, desde as pequenas ações sociais que atendem a população gratuitamente e vão disseminando pouco a pouco a conscientização de bons hábitos bucais e prevenção desde os bancos escolares.

Há também lutas travadas em instâncias políticas para o reconhecimento de novos espaços para a Odontologia, como a exigência do cirurgião-dentista em UTIs, fato de extrema importância e que pode salvar vidas.

70 milhões nunca foram ao dentista - Os problemas são tantos e diversos – 23 mil pessoas têm cobertura odontológica por planos -, mas por outro lado, 27% - perto de 70 milhões de brasileiros nunca foram ao cirurgião-dentista. Nem ao médico e talvez nunca tenham sentado numa cadeira escolar. Porém, como diz o prof. Paulo Capel Narvai, Professor Titular da Faculdade de Saúde Pública – Departamento de Gestão e Saúde da Universidade de São Paulo, “nossas desigualdades são de tal magnitude – as sociais, as educacionais, as da saúde, as odontológicas – que é um luxo desperdiçar qualquer recurso, qualquer iniciativa, mesmo as individuais são bem-vindas e fazem a diferença para uma pessoa, ou família, ou grupo social”.  A esta mobilização o prof. Capel chama de “O Sal da Terra”, em alusão a uma passagem bíblica e à canção de Beto Guedes*, com o mesmo nome.


*Sal da Terra

Vamos precisar de todo mundo

Um mais um é sempre mais que dois

Pra melhor juntar as nossas forças

É só repartir melhor o pão

Recriar o paraíso agora

Para merecer quem vem depois

Para o sanitarista, o importante na promoção da Saúde Bucal e na Saúde Bucal Pública é valorizar não apenas as grandes organizações que operam no terceiro setor mas também o SUS, que com dificuldades tenta manter as conquistas na área da Saúde Pública. “Como dimensionar e valorizar o trabalho do pequeno, do menor, do quase imperceptível?”, questiona o prof. Capel. “São missões institucionais muito distintas e, de certo modo, complementares, não são concorrentes e podem somar. O resultado sempre será benéfico à população.”

Reforça, ainda, que “o importante é que caibamos todos nessa embarcação que não pode naufragar" e lembra ao ter ouvido noutro dia uma velha canção de Beto Guedes

(O Sal da Terra), alguns versos o fizeram pensar sobre isso, sobre esse ‘precisar de todo mundo’ que sabemos ser a metáfora imemorial do 'Sal da Terra' (menção à passagem bíblica Mateus 5:13), registrada da seguinte forma: "Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens."

“O desafio posto a todos nós é não ser insípido, mas ser Sal da Terra não é para qualquer um(a). É preciso, de algum modo, fazer alguma diferença, para salgar, para não ser algo que se lança fora para ser pisado pelos homens. E isso, fazer alguma diferença, não depende do tamanho que se é, nem do que se faz. Basta agir, fazer, importar-se e não ser indiferente. Por isso, apenas por isso, vamos precisar de todo mundo.”

“Vamos precisar de todo mundo”

O crescimento da Tecnologia de Informação (TI) nas relações pessoais e empresariais tem trazido avanços ao uso das plataformas digitais, facilitando escolha, marcação de consultas, orçamentos, acompanhamentos de casos e mesmo aplicação de novas tecnologias de modo rápido e seguro. Assim, formada por várias frentes, vem acontecendo a expansão do mercado odontológico, embora, segundo dados do Sindicato Nacional de Odontologia de Grupo (Sinog), há ainda 24.5 milhões de beneficiários a serem conquistados.  Na verdade, para a promoção da Saúde Bucal, devemos voltar a outro cenário, a barriga da mãe, na gestação, quando devem ser tomados os primeiros cuidados básicos para o bebê já nascer com indicativos de boa saúde oral. É neste ponto que se sedimenta a história a se desenrolar pela vida inteira, até a idade avançada dos mais velhos.  A conscientização da importância dos cuidados da boca deve começar junto com a vida, mas infelizmente morre bem antes do fim dela: estima-se que 75% dos idosos não tenham nenhum dente.

Odontologia de Grupo alcançará

26 milhões de usuários em 2020

Dados do Sinog apontam que 2,6 milhões de pessoas contrataram um plano odontológico nos últimos dois anos (junho/2016 a junho/2018). Além do crescimento, no caminho inverso ao da crise no mercado, o que realmente se destaca é a possibilidade de melhoria considerável para a promoção efetiva da Saúde Bucal da população brasileira. Afinal, são 310.401 cirurgiões-dentistas brasileiros dado do CFO, em setembro/2018).

A contratação do plano coletivo por adesão foi o que mais cresceu (17,78%), seguido do individual/familiar (12,27%) e coletivo empresarial (12,15%) dentro da faixa etária dos 59 anos ou mais, no período, exibindo um crescimento respeitável de 28,97%.

A previsão do Sinog indica manutenção de crescimento até dezembro de 2020, quando o mercado deve alcançar 26,1 milhões de beneficiários, um crescimento de  28.97%.

“A qualidade da assistência será o parâmetro de evolução do segmento odontológico. Quatro pilares balizarão esse processo: incorporação tecnológica; novos modelos de remuneração; mudanças de hábitos, exigências do consumidor e aspectos regulatórios”, aponta o presidente do Sinog, Geraldo Almeida Lima (foto).

Ele indica os fatores desse sucesso: “ Previsibilidade e segurança, dois itens que o plano odontológico oferece ao beneficiário, a um preço acessível, com ampla rede de atendimento e às diversas coberturas contratadas, associada à satisfação dos clientes, são fatores que corroboram para o crescimento do setor”.

Opinião


Planos odontológicos cobrem

11% da população, mas há

potencial de crescimento

O Dr. Marcos José Silva Costa é  Superintendente de Operações da OdontoPrev, deu com exclusividade o seguinte depoimento ao Jornal Odonto:   

 “Atuamos em um mercado que cresce enquanto enfrenta a necessidade de conscientização da população brasileira com relação à importância da Saúde Bucal, que ainda carece de muita informação e valorização. Desde 2014, ao passo que os planos médico-hospitalares perderam 3 milhões de beneficiários (de 50 para 47 milhões de vidas), o setor de planos odontológicos percorreu o caminho inverso, ganhando 3 milhões (de 20 para 23 milhões), cerca de 11% da população. Acreditamos que essa penetração tem potencial para se aproximar de patamares muito mais elevados, como o que já observamos na América do Norte, onde ultrapassa os 70%.

Para alcançar esses números, as operadoras de planos odontológicos terão que mudar o modelo atual de competição para um modelo sinérgico de abertura de mercado. Entendemos que, no cenário atual, nosso mercado potencial atingiria metade da população brasileira, mas nossa penetração ainda é muito baixa. Além da conscientização, papel fundamental que tem de ser assumido pelas Operadoras que comercializam planos odontológicos, a valorização da qualidade do atendimento e dos serviços prestados deve ser uma preocupação constante, para que se gere uma percepção cada vez mais positiva do setor. Na OdontoPrev, por exemplo, trabalhamos ações, tanto para quem já é nosso beneficiário, quanto para as parcelas mais carentes da população.

Contamos com uma área de Gestão de Qualidade interna, formada por especialistas nas várias áreas da odontologia, com o objetivo de garantir a qualidade dos tratamentos realizados aos beneficiários de nossos planos. Por meio de convênios com outras entidades de grande relevância na área de ensino e pesquisa, oferecemos capacitação técnica aos profissionais credenciados e suporte no diagnóstico de doenças, como o câncer bucal, por exemplo, feito em parceria com o A.C.Camargo Cancer Center – Centro Integrado de Diagnóstico, Tratamento, Ensino e Pesquisa do Câncer, que tem como objetivo identificar e tratar casos precoces de câncer de boca. Deste modo, caso em algum atendimento o dentista identifique alguma lesão que pode ser um sinal da doença, ele pode solicitar uma segunda opinião a um especialista em oncologia do A.C. Camargo.

Já na área social, a OdontoPrev desenvolve uma série de projetos, junto às instituições parceiras, que levam atendimento odontológico a crianças e jovens, tanto por meio da rede credenciada - apenas no ano passado, realizamos cerca de 6 mil tratamentos a crianças de 19 instituições assistidas pela companhia -, quanto por campanhas de prevenção que disseminam, dentro das comunidades carentes, a importância de criar hábitos na prevenção de problemas bucais, e até mesmo na implementação de consultórios nessas comunidades, oferecendo atendimentos sem custos aos seus moradores.

 

Um mais um é sempre mais que dois

Operadora ARM, humanizada,

está atendendo 22 mil associados

A ARM é um modelo de operadora de porte médio na ANS que deu certo: acertou no gerenciamento e na estratégia, ocupa um nicho disputado e capricha na fidelização: tem clientes fidelizados desde sua abertura, em 1995. Ao relatar seus desafios e conquistas, seu diretor, Alexandre Martinelli (foto), acredita que a Odontologia de Grupo presta um serviço de grande valor à população, promovendo saúde bucal a milhões de pessoas. A ARM atende 22 mil pessoas – já chegou a 27 mil - e tem 2 mil cirurgiões-dentistas credenciados, exemplo que ressalta a filosofia do “vamos precisar de todo mundo”.

De porte médio, mas pequena frente ao mercado, a ARM é um exemplo de empreendimento que deu certo. “A formação da carteira de clientes foi bem difícil, relata o empreendedor e cirurgião-dentista Alexandre Martinelli, pois o setor comercial de planos médicos/odontológicos é muito agressivo e dominado por grandes operadoras. As médias e pequenas empresas, como a ARM, têm de criar estratégias e equipes próprias para conquistar os clientes.”

“ No nosso caso, muitos deles vieram por contatos pessoais dos sócios e de pequenas corretoras de gestão de benefícios que se destacam também em oferecer produtos de operadoras menores com atendimento diferenciado e exclusivo.”

Nesta entrevista, o dr. Alexandre Martinelli fala dos desafios, dificuldades e oportunidades da ARM.

Desafios - “Nestes 23 anos, todos tivemos que aprender na prática a gerenciar a empresa e as operadoras de planos de saúde, além das dificuldades normais decorrentes da regulamentação do governo pela ANS que impõe um peso muito significativo na sobrevivência dos pequenos, mas por outro lado exige uma profissionalização da gestão que se for alcançada pode trazer muitos benefícios, impactando diretamente na formação e manutenção da carteira de clientes”, afirma.

Dificuldades - “Para o setor, o cliente mais desejado é a grande empresa que tem recursos para pagar e gerenciar os benefícios a todos os seus colaboradores, garantindo o pagamento mensal dos contratos. Mas esta modalidade está toda nas mãos das grandes operadoras médicas que descobriram o potencial da Odontologia e vêm utilizando a estratégia comercial de só vender o plano médico se o odontológico for contratado junto.  Isto dificulta o acesso das operadoras exclusivamente odontológicas”, relata o diretor da ARM.

Oportunidades –“Para as demais operadoras – continua o dr. Alexandre - existe também um ótimo mercado que é o das pequenas e médias empresas, muito grande no Brasil e carente de benefícios.”  “ E é exatamente aí que a ARM está posicionada com os clientes empresariais, pois nesta categoria os contratos são na grande maioria por ‘adesão’, ou seja, o empresário fecha o contrato do benefício mas desconta quase sempre o valor integral do funcionário que quiser aderir. Ele destaca que isto faz com que as operadoras que atendem este público sejam mais eficazes. “Caso o serviço não seja bem prestado os beneficiários facilmente podem pedir a exclusão e o valor do contrato diminui.”

1.770 prestadores dentistas  – O dr. Alexandre Martinelli explica que existe também o cliente individual/familiar ou PF, um nicho que ganhou força com a crise financeira e o advento das vendas pela internet. “A ARM vem trabalhando bastante para avançar neste mercado. Hoje nossa rede assistencial conta com mais de 1.700 prestadores "dentistas" nas diversas especialidades da Odontologia distribuídos nas localidades em que temos os beneficiários. Eles estão principalmente na Grande São Paulo e em menor número no Interior do Estado, Litoral e outras capitais.

Crescimento acima da média – O diretor da ARM explica que o setor de Odontologia de Grupo tem crescido bem acima da média dos outros setores. “A dificuldade de acesso à rede particular, pelos altos custos dos serviços, e a alta demanda reprimida que existe no Brasil, aliada à grande oferta de profissionais de Odontologia favorecem a expansão do setor que ainda tem muito a avançar.” Ele acredita que, segundo especialistas, nas próximas décadas o mercado de Odontologia de Grupo pode mais do que dobrar de tamanho.

1º cliente continua fidelizado - Nos contratos empresariais a fidelização é importante como benefício aos funcionários pois agrega valor aos salários. No acaso da ARM, conta, temos até hoje o primeiro cliente empresarial desde 1996 e outros 10 clientes com mais de 15 anos de contrato.

Já os clientes Individual/Familiar compram o produto quando estão com problemas odontológicos e ao finalizar o tratamento pedem o desligamento. Para completar, destaca dr. Martinelli,  a ANS aprovou a possibilidade do desligamento a qualquer tempo impedindo as operadoras de exigir tempo mínimo de permanência. “Para tentar mudar este panorama será preciso um trabalho de educação para o usuário do plano ver o produto como seguro e não como financiador imediato do tratamento”, afirma.

Atividade dependente de TI - O investimento da ARM em  TI é constante. “Recentemente trocamos o fornecedor do sistema de gestão e foi uma tarefa muito difícil, treinar toda a equipe novamente, validar as informações, customizar o sistema para nossas particularidades”. Hoje estamos em “nuvem” e temos acesso às informações em tempo real através do site da operadora, com Portal do Cliente, da empresa e do dentista, o que facilita em muito a vida de todos e diminui a espera por atendimento e liberações a todos os envolvidos.

Vale a pena? O setor é muito difícil, depende de alta especialização dos profissionais treinados, margens muito pequenas, regulamentação...Mas qual negócio ou atividade é fácil? O que vale é avançar a cada dia e acreditar na equipe e nas perspectivas do mercado e da economia, gostar do que se faz e trabalhar muito.

Dr. Alexandre Martinelli afirma, ainda que o benefício se estende também ao cirurgião-dentista, que recebe uma fatia enorme da população que não teria como chegar até ele, nem no sistema particular, “sem falar do privilégio de promover a Saúde Bucal da população, um bem imensurável”

Valor agregado - O acesso à Odontologia Suplementar deve crescer muito nos próximos anos e vai atender a novas classes. As operadoras vêm criando novos produtos com coberturas cada vez mais atrativas. A Odontologia de ponta é um serviço com alto valor agregado e viável apenas para uma camada muito pequena da população. O setor vai cada vez mais ser o agente de convergência entre o usuário e o prestador. Mas  isso deve ocorrer também com um grande trabalho de conscientização de ambos os lados.

Atendimento humanizado de ponta a ponta – “É nossa filosofia oferecer um atendimento mais humanizado possível, do ponto de acessibilidade aos serviços. Sabemos como é difícil falar com grandes operadoras, resolver as demandas do processo de atendimento e eventuais dificuldades e prestamos um serviço humanizado”, afirma Martinelli.

"Sem falar da oportunidade que nossos clientes têm de manter a saúde bucal em dia e prevenir doenças bucais e outros males derivados que são evitados com a visita frequente ao cirurgião-dentista. Oferecemos também às empresas palestras de diversos temas ligados à Saúde Bucal no programas de SIPAT, com distribuição de kits de higiene bucal e panfletos, que é outra forma de promover a Saúde Bucal”, finaliza do diretor da ARM.

 

Polêmica não deve impedir a

promoção da saúde bucal brasileira

O sistema de planos odontológicos ainda tem certa prevenção por parte de alguns cirurgiões-dentistas e há algumas questões  para isso ser equacionado, segundo o Dr. Enzo Rosetti (foto),  cirurgião-dentista, graduado pela Faculdade de Odontologia de São José dos Campos - unidade do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (Unesp), mestre em Saúde Coletiva pelo Centro de Pesquisas Odontológicas São Leopoldo Mandic e perito em Saúde Suplementar pela Universidade de São Paulo. Entre elas:

  • Preços dos procedimentos estão cada vez mais baixos à medida que o mercado de trabalho apresenta oferta maior de mão de obra profissional, e utilizam os convênios como abertura de carteira de clientes

  • O serviço é prestado, mas muitas vezes glosas acontecem, por motivos técnicos ou administrativos

  • Independente dos motivos, os profissionais se sentem desanimados a atenderem procedimentos os quais há incerteza de pagamento

  • Sucateamento dos honorários cobrados (achatamento das margens de lucro)

  • Não estamos treinados a lidar com operadoras de saúde

  • Não sabemos negociar honorários com empresas que lidam com negociações de forma profissional e predatória

  • Não sabemos trabalhar a escassez do atendimento caso recusamos trabalhar para as operadoras de saúde

  • Não é ensinado sobre convênios nas universidades e  os dentistas possuem lacunas na formação de gestão e administração do seu próprio negócio

  • Poucos de nós possuem estrutura de suporte administrativo no consultório. Isto inclui secretaria com formação adequada, ASB alinhada com o CD, entre outros

Quanto ao aspecto social do atendimento por planos, o Dr. Enzo concorda que, no final é um aumento de possibilidade de tratamento para a população, mas para se adequar aos critérios e pagamento que o convênio exige é necessário que o profissional ajuste seu modelo de negócio a este tipo de atendimento.

Para o cirurgião-dentista Rodrigo G. Bueno de Moraes (foto), que não integra nenhuma rede credenciada de planos, mas atua em sua clínica particular, há problemas nesta equação que regula a expectativa dos profissionais da Odontologia quanto à remuneração e as limitadas oportunidades de promoção dos seus serviços, perante o que estipula e permite a legislação vigente para os planos de saúde e para o profissional clínico privado. 

“As diferenças entre o que podem promover - quanto e como podem cobrar e a capacidade de arcar com os custos envolvidos nos tratamentos - são distintas para as grandes empresas, convênios e para os profissionais liberais da Odontologia. Acredito que isso, infelizmente, acaba distanciando parceiros em potencial - que deveriam se unir na discussão e na busca pelo equacionamento dessas diferenças”, afirma dr. Rodrigo Bueno de Moraes. “Mas, sem dúvida, acredito que cada um de nós, seja em que posição estiver, como princípio da filosofia de nossa profissão, estará sempre lutando por mais Saúde Bucal de qualidade para a população brasileira, em todas as etapas da vida humana.”

É só repartir melhor o pão

Sorridents atende 35 mil

novos pacientes por mês

A Sorridents é para mim a conquista de um grande sonho: poder oferecer às pessoas acesso a tratamentos odontológicos de qualidade com preço justo, tecnologia e muito conforto. É a missão que eu tinha para a minha vida.” É muito gratificante saber que já atendemos mais de 3,5  milhões de brasileiros que antes não sabiam o que era Saúde Bucal. Algo que levo comigo e que acredito muito é: morar bem, comer bem e ter saúde é um direito de todos”, enfatiza a Dra. Carla Sarni (foto), fundadora e presidente da rede das clínicas Sorridents.

A história da Sorridents é bastante conhecida mas nunca é demais ressaltar, ao se falar de promoção da Saúde Bucal, a performance e o sentido que o nome empresta à melhoria da qualidade de vida do brasileiro: o atendimento de 3,5  milhões de pessoas que antes não sabiam o que era Saúde Bucal. Aos 16 anos,  Dra. Carla foi aprovada no vestibular para Odontologia em Alfenas (MG), mas longe da família, sobreviveu vendendo água na porta da faculdade. Em 1995 terminou o curso, voltou a São Paulo e conseguiu uma vaga como dentista terceirizada em um consultório dentário na Zona Leste da cidade. Em três meses de trabalho, Carla conquistou uma invejada carteira de clientes e abriu sua própria clínica, ainda cursando especialização em bucomaxilofacial.

Trabalhava para consolidar seu nome na região e atrair clientes e aos fins de semana estendia o trabalho para regiões carentes como a favela Pantanal em São Miguel Paulista e começou a trabalhar em ações que aproximavam a Polícia das comunidades.

O próximo passo foi criar um instituto responsável por ajudar as pessoas a cuidarem da sua Saúde Bucal da mesma forma que se preocupavam com a sua saúde física. Nestas ações, Carla já percebeu a falta de condições da população até para comprar uma escova de dentes e se deparou com famílias que utilizavam a mesma escova.  Buscou ajuda e hoje recebe mais de 20 mil kits de higiene bucal todos os anos para serem distribuídos nas ações que a Sorridents realiza. Nelas, acontecem palestras, atendimentos emergenciais, avaliações odontológicas gratuitas e exames de câncer bucal feitos em média uma vez por semana em diferentes comunidades, sempre com a ajuda de dentistas que se aliam a ela para poder ajudar também. O instituto já foi reconhecido com diversas entidades, como pela Honraria Salva de Prata, a AFRAS – ETHOS, e a Dra Carla por duas vezes consecutivas foi convidada para apresentar o seu case em um Fórum Base Internacional realizado pelo BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, em 2011 em São Paulo e em 2013, em Medellin, na Colômbia.

Hoje, também atua em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social de São Paulo e atende todos os restaurantes do Bom Prato aqui no Estado.

A Sorridents foi uma rede própria durante 12 anos e esse é um dos grandes diferenciais da empresa, pois além de muita experiência, aprendeu muito com os erros e acertos. A fundadora conta que se tornaram rede de franquias porque os dentistas que trabalhavam com eles queriam “um negócio igual” ao que a Dra. Carla e seu marido haviam criado, queriam a receita do sucesso. “Quando viramos franquia, os 58 primeiros franqueados eram dentistas da própria rede. Hoje, são 250 unidades em 16 estados com um faturamento anual da rede de mais de 240 milhões”.

Preocupação com a saúde bucal - Hoje as pessoas vão ao dentista para fazer tratamentos mais completos, destaca a dra. Carla. “Inclusive, os pais, hoje, se preocupam muito mais com a Saúde Bucal dos filhos. Eles não querem para os filhos o que tiveram quando criança. Atualmente as famílias estão mais preocupadas em fazer com que os filhos tenham uma boa Saúde Bucal e possam chegar à fase adulta e eles mesmo à 3ª idade com todos os dentes na boca.

O atual cenário, melhorou, mas ainda não é o ideal. Apesar do Brasil ter mais dentistas que os EUA e o Canadá, juntos, existe um mar de oportunidades. Pesquisas mostram que 55% da população brasileira não tem o hábito de ir ao consultório odontológico regularmente, só 5% frequentam o dentista como é recomendado pelos órgãos.”  

Hoje a Sorridents recebe mais de 35 mil novos pacientes por mês, graças à construção de marca ao longo de 22 anos. É a marca mais premiada do país e reconhecida nacionalmente e internacionalmente. Também pela ABF como uma franquia 5 estrelas, por 6 anos ganhou pela Pequenas Empresas & Grandes Negócios como a melhor franquia no Brasil no setor de Saúde e Bem Estar. Além disso, tem o reconhecimento da Harvard Business School, como um negócio que oferece serviços de qualidade e se volta completamente para a base da pirâmide social, tendo sido escolhida a franquia para ir à Washington no SELECT SUMMIT USA,  evento de negócios realizada em 2016 com a presença do presidente Barack Obama.

Em 2015, o Sorriden – A Dra. Carla apresentou ao mercado o plano odontológico Sorriden,  com a proposta de transformar o mercado de convênios no Brasil: mais agilidade na marcação de consultas, e investimento na prática da prevenção, sempre mais vantajoso do que tratar o curativo.

Em 2017, a Docbiz – Lançada a empresa Docbiz, empresa dedicada ao desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de consultórios e outros negócios, com investimento de R$ 4 milhões.

 

Para merecer quem vem depois

Chegou a vez das pequenas ações que, muitas vezes, representam grandes resultados, se não quantitativos, mas em termos de conscientização da sociedade brasileira sobre a Saúde Bucal e a prevenção de doenças.

 

A Odontologia brasileira atravessando fronteiras

Outro exemplo dentro do conceito do “Sal da Terra”, que reforça a compreensão da importância da Saúde Bucal e de que é preciso se dedicar de todas as formas à sua promoção, é o trabalho do Instituto Pedro Martinelli (IPM), fundado após a morte do cirurgião-dentista e  líder Pedro Martinelli, em 1998, que elevou o papel da  Odontologia  em todo o país, com  o incentivo de abertura de seções e regionais da Associação Brasileira de Odontologia e foi além, atravessando fronteiras, colocando-a em patamares internacionais com a participação do Brasil na Federação Dentária Internacional (FDI) e na Federação Odontológica Latino-americana (Fola). Desde a morte do líder, há 20 anos, foi criado o IPM, que empunha a bandeira até hoje, funcionando na área de divulgação da Promoção da Saúde Bucal com as melhores fontes confiáveis para entrevistas à imprensa, selecionadas por especialidades do mundo odontológico e com repercussão nacional. Divulgar, conscientizar e compartilhar informações é outro lado da moeda que coloca a Saúde Bucal , em formato de notícias, como o Sal da Terra, sem limites.

 

ABCD faz prevenção de câncer bucal em 25 mil

A prevenção do câncer bucal é outro caminho que se abre ao falar de Promoção da Saúde Bucal. A Associação Brasileira de Cirurgiões-dentistas (ABCD) vem desenvolvendo essa missão há cinco anos, por meio da detecção precoce da doença entre a população. Já foram, feitas de 86 ações da Campanha Sorria para a Vida, atendidas perto de 25 mil pessoas e identificados 2 mil lesões cancerosas, o que significa salvar vidas, pois o câncer bucal mata se não diagnosticado e tratado a tempo. O presidente da ABCD, Silvio Cecchetto (foto), lembra que  “se uma vida for salva, a campanha vale a pena”. Esse trabalho que já envolveu 700 cirurgiões-dentistas voluntários e a distribuição de cerca de 25 mil kits de higiene bucal, exibe também a face parceira da indústria odontológica brasileira participando ativamente na execução da campanha.  Este é mais um punhado do “Sal da Terra”.

 

Amigo da Vez vai a regiões carentes levar Saúde Bucal

Escolhida por seu trabalho humanitário, a ONG Amigo da Vez visita locais longínquos e de difícil acesso para levar ações de Saúde Bucal junto a comunidades carentes, também com patrocino empresarial. Estão sendo realizados mutirões em cidades carentes das cinco regiões do Brasil. Os equipamentos portáteis são  levados até os locais de atendimento, com a participação de 19 cirurgiões-dentistas, biomédica e TSBs e pessoal de apoio. A meta é chegar a 500 pessoas por região. O cirurgião-dentista Maurício Querido, coordenador do projeto, afirma que a Amigo da Vez sempre trabalha com responsabilidade e seriedade para atingir pessoas necessitadas, que vivem de forma isolada, em comunidades distantes, que muitas vezes não têm condições nem mesmo de comprar uma escova de dentes e creme dental. A Colgate é parceira nesta ação, para a distribuição dos kits de higiene bucal. “ Poder levar para elas, dentistas capacitados, tratamento dentário, informação sobre Saúde Bucal e higiene oral, distribuir os kits de higiene bucal, é muito gratificante, além de conscientizar as pessoas e poder contribuir para um futuro de sorrisos mais saudáveis!”, afirma Querido.

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Zaíra Barros é jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, articulista e editora do Jornal Odonto.

Imagens: arquivo Jornal Odonto/Editabr

 



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