Ano XXI nº 244 -

Edição 244 - 08/02/2018

   

 

 

Opinião

Falta de virtudes, o abismo do Brasil*

Zaíra Barros**

 

As falcatruas, descaminhos, mentiras e atos de corrupção generalizados que se tem assistido no País já estão caindo na banalidade. Nada mais espanta, tanto o aumento de denúncias. Uma se sobrepõe à outra e a última é sempre pior do que a anterior. Quando se pensa que já foram levantadas todas as pontas do tapete, vem à tona nova caçamba de lixo. E como é típico da criatividade brasileira, tudo vira piada, charge e textos humorísticos. Mas que não se culpe o povo, pois quando não é iludido, mais age assim por proteção do que por alienação.

Dos atuais mandatários da Nação - que foram eleitos para dirigir os destinos do País, discernir entre o que é bom ou não para a população e a ela prestar contas de seus atos -  exige-se respeito, ética, moral e dignidade, apenas para citar alguns dos componentes imprescindíveis que deveriam ser intrínsecos do homem público.

Na obra Pequeno Tratado das Grandes Virtudes (Ed. Martins Fontes), o filósofo francês André Comte-Sponville, fala que a virtude (e a virtude moral) é a capacidade de agir bem, é o esforço para se portar bem (aliás, o autor enfatiza “virtudes” no plural, relativas a valores morais). E em seu livro Comte-Sponville enumera polidez, fidelidade, prudência, temperança, coragem, justiça, generosidade, compaixão, misericórdia, gratidão, humildade, simplicidade, tolerância, pureza, doçura, boa-fé, humor e amor como as pequenas grandes virtudes, dissecando-as todas para que não restem dúvidas tanto da necessidade de sua existência quanto de sua prática.

Ainda com relação a Comte-Sponville, a virtude é um ápice entre dois vícios (abismos), ou seja: a coragem, entre covardia e temeridade; a dignidade, entre complacência e egoísmo; a doçura, entre a cólera e a apatia. A moral e a ética (ou a falta de ambas) do governo-partido/partido-governo, infelizmente, estão apenas entre os vícios e os abismos. Qualquer dos preciosos pensamentos encontrados na obra de Comte-Sponville remete à desesperança, porque deles está toda condução do País muito distante.

Para quem divide este espaço Pense Bem  e para os leitores do Jornal Odonto fica a sugestão de fazer desta obra um bom livro de cabeceira, que vai além do divertimento e com certeza contribui para que cada um de nós se torne um ser humano mais digno e consciente de suas escolhas.

Aos mandatários e/ou envolvidos nos sórdidos fatos que estão sendo revelados a cada dia no Brasil, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes deveria se transformar em lição de casa para os acontecimentos atuais e exercício obrigatório de candidatos às próximas eleições, em todos os níveis.


*Este artigo foi publicado em 2005. Como o leitor pode ver, nada mudou nestes 13 anos.

 

*Zaíra Barros é jornalista (Faculdade de Jornalismo Cásper Líbero) com experiência de 13 anos em imprensa diária (FSP), em coberturas, produção e edição de conteúdos e publicações de jornais e revistas de entidades e empresas. É diretora da Editabr Comunicação e Editora e editora do Jornal Odonto.A Editabr assessora e faz a gestão da Campanha Sorria para a Vida da Associação Brasileira de Cirurgiões-dentistas (ABCD) e  assessora a Associação Brasileira de Ensino Odontológico (Abeno). Em 2017 produziu e editou o livro 100 Anos da ABO, com 271 págs., abrindo um novo nicho de negócios na empresa. zairabarros@editabr.com.br

 

 

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