Ano XXI nº 248 -
 
 

 ESPECIAL

Zaíra Barros*
Armando Stelutto Jr.*

 

Não é apenas nos quesitos “Política” e “Desgoverno” que os habitantes deste país de quase 210 milhões de pessoas (IBGE, 7/6/2018) vêm se sentindo subjugados. À lama da corrupção que está destruindo estruturas brasileiras como a Petrobrás, à falta de opções éticas para dirigir os destinos da Nação juntam-se dados alarmantes e vergonhosos de assassinatos, colocando o Brasil na liderança mundial com 60 mil mortes no ano e desdobramentos graves que afetam toda a população, entre elas doenças como a depressão, o suicídio e a discriminação social, males que atingem o lado mais sensível do ser humano: o emocional e a saúde mental.

É de doer o que acontece no País. A vida humana parece ser vista pela administração política unicamente através de lentes interesseiras focadas no proveito próprio dos dirigentes públicos. Os escândalos e mais escândalos (alguns até intocáveis, porque suas raízes medonhas são amparadas pela lei, como as mordomias e altos salários nos três poderes da República) atestam a sanha da corrupção que devasta os cofres públicos e aniquila o cidadão em seus diretos básicos previstos na Constituição.

Enraizada na ação despudorada da classe política insensível às necessidades da população, a violência continua explodindo por todos os lados e de todas as formas. Bandidos tomam de assalto cidades inteiras, pequenas ou grandes; o serviço de saúde pública para o cidadão necessitado é uma piada; e as escolas públicas, no sentido mais amplo, estão caindo aos pedaços (algumas delas coladas em lugarejos ou favelas recheadas de bandidos mais armados do que a polícia).

O País vive aterrorizado, o medo se espalha por falta de segurança decente, serviços de saúde corretos e escolas que ensinem e formem cidadãos de bem.

Princípios de base - Em meio às denúncias de tantos crimes e às vésperas de eleições, o cidadão brasileiro tem em suas mãos a arma mais forte para dar início às mudanças que o Brasil exige para caminhar sem tantos sobressaltos à democracia resgatada, à honestidade irretocável ao caráter ilibado e, acima de tudo, responsabilidade no comando dos destinos e transformações da Nação. Esses princípios são de base, devem fazer parte da educação desde a infância – aprender a respeitar o próximo, a compartilhar, a dar o uso adequado a cada coisa (à água e ao lixo, por exemplo), a ser resiliente com as pessoas, mas severo nos descaminhos e nas falcatruas.  Da mesma forma que se constrói uma família, com educação, bons hábitos e responsabilidade. O Brasil deve ser um espelho de nosso lar. Complicado? Sim, mas é tempo de começar essa transformação para nãotermos mais reportagens, artigos, depoimentos como este e nem a pergunta Que País é Este?

 

1 milhão de assassinatos

O Atlas da Violência 2018, divulgado recentemente, exibe bem mais do que estatísticas: uma em cada 10 pessoas assassinadas no mundo é brasileira. E mais: 13% dos crimes, 137 mil, ocorreram só no estado do Rio de Janeiro. Em São Paulo, foram 202 mil pessoas, e em Pernambuco, 84 mil.

A soma de 20 anos alcança 1 milhão de assassinatos, aniquilando uma geração do mapa, com o agravante da mortandade de jovens. Dados do Ministério da Saúde mostram que de 2005 a 2015 registrou-se um aumento de 17,2% na taxa de assassinatos na faixa dos 15 aos 29 anos.

Sem uma política nacional capaz de criar um plano de redução de homicídios que enfrente seriamente essa realidade, as razões para a banalização dos crimes continuam: a desigualdade social e racial, o desemprego, a baixa escolaridade, a urbanização rápida e irregular das cidades, drogas ilícitas e armas, destacando ainda as questões raciais, o estupro e a depressão, que abre um leque de males que fazem sofrer mais ainda pelo preconceito.

Acompanhe nos próximos dias a Parte Final desde artigo, que aborda ainda as consequências à parte mais sensível do ser humano, porque intangível, como a alma e a mente.


*Zaíra Barros – Jornalista e editora do Jornal Odonto

*Armando Stelluto Jr.- Jornalista e colaborador do Jornal Odonto

 

 

Pub. 26/06/2018

 


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